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2026 é o ano com o maior volume de pagamentos aos agricultores

Segundo informação divulgada pelo Ministério da Agricultura e Mar, o valor acumulado de pagamentos aos agricultores ultrapassou, em setembro, os 1.000 milhões de euros, naquele que é apontado pelo Governo como o maior valor de sempre.

Num ano particularmente desafiante para o setor, foram também aprovados novos apoios extraordinários destinados a responder aos efeitos das tempestades, apoiar a produção agrícola, reforçar o regadio e apoiar os setores da floresta, pecuária e vinho, bem como a reduzir o impacto do aumento dos custos de produção.

 

Pagamentos ao setor agroflorestal e das pescas atingirão 1.067,6 milhões de euros entre janeiro e setembro de 2026

É o valor mais elevado de sempre para este período, muito acima da média de 623,4 milhões de euros registada entre 2014 e 2025. Este resultado deve-se ao aumento dos apoios e à antecipação de pagamentos. Só no mês de setembro será pago um total de 257 milhões de euros, sendo 207 milhões relativos ao adiantamento do pagamento às zonas com condicionantes naturais e aos prémios aos animais.

O Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, destaca que "quando os custos sobem, o apoio aos agricultores tem de ser maior e chegar mais cedo." Com este princípio, o Governo tem respondido às dificuldades do setor com decisões rápidas e a antecipação de pagamentos, reforçando a capacidade de resposta e dando maior previsibilidade a quem produz. José Manuel Fernandes assume que "este é um ano excecionalmente difícil para a agricultura portuguesa", mas reforça o esforço do governo no apoio aos agricultores.

Acrescem novos apoios extraordinários em 2026

Em 2026, o Governo aprovou novos apoios extraordinários ao setor agroflorestal e das pescas, num valor superior a 450 milhões de euros em subvenções.

Através do Orçamento do Estado, foram atribuídos mais de 250 milhões de euros.  Este montante inclui 60 milhões para a reparação de regadios, 50 milhões em apoios simplificados até 10 mil euros, 30 milhões para o Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio, 12 milhões para os viticultores do Douro que não consigam escoar a produção e 15 milhões para a eficiência energética. O apoio de 10 cênt/L ao gasóleo agrícola tem uma dotação total 25 milhões de euros. Inclui ainda 20 milhões de euros para os apoios aos custos de produção, a que se somarão mais 40 milhões de euros para o mesmo objetivo, com contribuições do OE, da Reserva de Crises e do PEPAC.

O Plano de Recuperação e Resiliência contribuiu com 67,7 milhões de euros: 41 milhões para novas OIGP após a tempestade Kristin e 26,7 milhões de euros para o apoio IFIC à recuperação das explorações afetadas pelas tempestades.

No âmbito do PEPAC, foram mobilizados 130 milhões de euros. Deste valor, 40 milhões destinaram-se ao primeiro aviso de apoio à reposição do potencial produtivo nos concelhos em situação de calamidade e 50 milhões no aviso dedicado aos restantes concelhos. Somam-se ainda apoios de 30 milhões para compensar a perda de rendimento causada pelas tempestades, através da Reserva de Crises, 5 milhões para o restabelecimento do potencial silvícola e 5 milhões através doprograma VITIS.

O MAR 2030 assegurou 23 milhões de euros de apoio extraordinário. Para compensar o setor das pescas e do mar pelo impacto do mau tempo registado no início do ano, foram disponibilizados 5 milhões de euros repartidos entre o setor das pescas, no valor de 3,5 milhões de euros, e o da aquicultura, num montante de 1,5 milhões de euros. Ainda no âmbito do Programa MAR 2030, foram abertas as candidaturas para o apoio que visa compensar o setor pelo aumento dos custos com combustíveis. São 18 milhões de euros, dos quais 13 milhões de euros para as pescas, 4,5 milhões de euros para a indústria de transformação e comercialização do pescado e 0,5 milhões de euros para a aquicultura.

Linhas de crédito com valor global de 450 milhões de euros

A todos estes apoios somam-se as linhas de crédito para apoiar o setor agrícola num valor global a rondar os 450 milhões de euros: 337 milhões para a linha de tesouraria de apoio à reconstrução no setor agrícola e 110 milhões para a linha de apoio às adegas.

O governo está já a preparar o futuro, com a 5.ª reprogramação do PEPAC, submetida em agosto, que prevê um reforço de 162 milhões de euros nos pagamentos diretos aos agricultores em 2027.

De acordo com o Ministério, o objetivo é antecipar pagamentos e reforçar a capacidade de resposta, proporcionando maior previsibilidade aos agricultores, produtores florestais e profissionais das pescas.

Consulte os principais apoios extraordinários mobilizados em 2026 e conheça as medidas recentes anunciadas pelo Governo:

Orçamento do Estado:

  • Reparação de regadios: 60 M€
  • Apoios simplificados até 10 mil euros do OE: 50 M€
  • Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do
    Pastoreio: 30 M€
  • Apoio de 10 cent/L para o gasóleo agrícola: 25 M€
  • Apoios aos custos de produção (inclui Reserva de Crises e PEPAC): 60 M€
  • Apoio para aos viticultores que não consigam escoar produção no Douro: 12 M€
  • Apoio eficiência energética: 15 M€

 

Plano de Recuperação e Resiliência

  • Novas OIGP após tempestade Kristin: 41 M€
  • Apoio IFIC para recuperação de explorações afetadas pelas tempestades: 26,7 M€

 

PEPAC

  • Reposição do potencial produtivo para os concelhos de calamidade: 40 M€
  • Reposição do potencial produtivo para os restantes concelhos: 50 M€
  • Apoio para perda de rendimento em resultado das tempestades (Reserva de Crises) 30 M€
  • Restabelecimento Potencial Silvícola: 5 M€
  • VITIS: 5 M€

 

MAR 2030

  • 3,5 M€ apoio rendimento do setor das pescas
  • 2,5 M€ apoio rendimento do setor da aquacultura
  • 13 M€ apoio para diminuir o custo dos combustíveis

 

Linhas de Crédito

  • Linha de tesouraria de apoio à reconstrução no setor da Agricultura: 337 M€
  • Linha de tesouraria de apoio às Adegas: 110 M€

Apesar do volume de apoios anunciado, continuam a surgir preocupações e críticas por parte dos agricultores e das organizações que os representam, nomeadamente em relação aos custos de produção, à burocracia, aos atrasos nos pagamentos e a outras dificuldades que continuam a marcar o dia a dia do setor.

Que medidas consideram prioritárias para responder aos principais desafios da agricultura em Portugal?

Escrevam-nos a vossa opinião: online@vozdocampo.pt | Queremos ouvir quem está no terreno.

Informação relacionada | Governo decide novos apoios para setor agrícola enfrentar aumento de custos de produção: https://vozdocampo.pt/noticia/1089/governo-decide-novos-apoios-para-setor-agricola-enfrentar-aumento-de-custos-de-producao

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