Para o responsável, a estratégia “Água Que Une” representa uma oportunidade para mobilizar diferentes entidades em torno de um projeto comum. “A ‘Água Que Une’ é uma novidade, um modelo em que é necessário articular as forças todas para se unir à volta de um grande projeto”, afirma.

Na perspetiva de Firmino Cordeiro, o regadio assume particular importância para a nova geração de agricultores. “Quase não há nenhum projeto jovem agricultor que não tente irrigar pelo menos uma área dos seus objetivos em termos de investimento”, sublinha, acrescentando que o regadio é “sinónimo de produtividade, de competitividade e também de qualidade”.
Investir e modernizar
A necessidade de intervenção passa, segundo o diretor-geral da AJAP, não apenas pelo aumento da área regada, mas também pela recuperação e modernização das infraestruturas existentes. “Uma das propostas da ‘Água Que Une’ é reconverter os regadios que existem, é melhorar barragens que existem, é corrigir condutas, é melhorar”, refere.
Firmino Cordeiro considera que as perdas de água e a falta de manutenção de algumas infraestruturas condicionam a eficiência do regadio. “Durante anos a fio, parece que não olhámos para estes problemas e as coisas foram-se perdendo. Há muitas perdas, mesmo no regadio agrícola”, aponta.
Neste contexto, defende uma maior capacidade de armazenamento e gestão da água, permitindo também responder aos períodos de maior escassez. “Nós temos de aparar essa água, temos de a guardar, de a reservar, para que de facto ela possa ser utilizada”, afirma.
Água e eficiência
A resposta às necessidades da agricultura deverá, contudo, passar por uma utilização cada vez mais eficiente do recurso. “A questão aqui é a eficiência. Regar nos momentos certos, regar nas quantidades certas às plantas”, destaca.
Para o responsável da AJAP, a investigação e o conhecimento técnico têm um papel determinante neste processo, desde o trabalho desenvolvido pelas universidades e centros de investigação até às estruturas especializadas do setor. “Nós temos de ter estruturas como esta, que organizou este Congresso, para nos dedicarmos a estas questões específicas. O que é que nós podemos melhorar para ser mais eficientes”, afirma.
Com as alterações climáticas a agravar a pressão sobre os sistemas de produção, Firmino Cordeiro alerta para os riscos que enfrentam algumas culturas de sequeiro. “Eu estou muito preocupado com muita da nossa agricultura em sequeiro. Olival, amendoal, vinha podem perfeitamente definhar-se se nós não dermos quantidades de água mínimas”, considera.
É neste contexto que associa a disponibilidade de água ao futuro da atividade agrícola e à renovação geracional. “Os jovens agricultores são os primeiros a querer investir no regadio”, salienta, defendendo que o desenvolvimento das infraestruturas deve avançar em paralelo com a instalação de uma nova geração de produtores.
“Não se faz agricultura sem água, ponto. Nós transformamos a água em alimentos”, conclui Firmino Cordeiro.